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Corações
Título original: Coeurs
Título (Brasil):
Realização: Alain Resnais
Intérpretes: Sabine Azéma, Isabelle Carré, Laura Morante, Pierre Arditi, André Dussollier, Claude Rich, Lambert Wilson
França/Itália, 2006
Estreia: 3 de Abril de 2008
Crítica de: Sérgio Dias Branco
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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Thierry, que é agente imobiliário, tem tido dificuldades em encontrar um apartamento a Nicole e Dan, um casal de clientes difícil. Na agência, Charlotte, sua colaboradora, empresta-lhe uma cassete de uma emissão de televisão que ela adora, “As canções que mudaram a minha vida”, um programa religioso de variedades que perturba fortemente Thierry.
A irmã mais nova de Thierry, Gaëlle, procura secretamente o amor, chegando a recorrer a anúncios. Dan, militar de carreira que acabou de ser expulso do exército, passa os seus dias no bar de um novo hotel do 13.º bairro onde confidencia a Lionel, o barman, as suas aventuras profissionais e sentimentais com Nicole. Para assegurar o bom funcionamento do serviço à noite, Lionel viu-se obrigado a contratar uma assistente para tratar do seu pai, Artur, um homem velho, doente e em fúria. O nome dela é Charlotte. É assim que o desenvolvimento de um personagem pode perturbar o destino de um outro sem que para tal o conheça ou o venha sequer a encontrar.
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* Alain Resnais, Isabelle Carré, Lambert Wilson e André Dussollier no Cinema2000.
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João Lopes
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O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias a 6 de Abril de 2008.
Alain Resnais, um histórico da Nova Vaga francesa, continua em grande forma. A partir de uma peça do inglês Alen Ayckbourne, propõe-nos uma teia de solidões que é, de uma só vez, um retrato da vida urbana e uma travessia das regiões mais recônditas da alma humana. Grandes actores, como sempre, incluindo os fiéis Sabine Azéma, Pierre Arditi e André Dussollier; estr5eantes são Laura Morante e Isabelle Carré. |
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Maria Luísa Ferreira da Gama Velho Arruda |
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| Coeurs um aguardado filme francês de 2006 que desilude pelo vazio das histórias. Um filme triste com personagens que pretendem esteriotipar alguns tipos de solidão urbana mas que deixam um amargo sabor a desalento. A interpretação é excelente mas a história previsível não tira partido deles. Após as duas fastidiodsas horas de filme fica o desejo de um final mais unificador, um crescimento interior mas só nos resta rever uma série de acontecimentos estéreis e pouco criativos. Uma simples desilusão ou mera ilusão. |
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Luís Mendonça |
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Só consegui ver agora, mas felizmente ainda em cinema, um dos filmes mais aguardados deste ano: "Coeurs". Alain Resnais filmou esta história com pouco brilho, e, convenhamos, sem grande densidade (veja-se como certas personagens, como a da italiana Paula Morante, servem apenas de "pano de fundo" a outras, como a do seu marido ex-militar), escondendo muito da sua falta de originalidade nalguns truques cénicos roubados do teatro, sem se notar um esforço significativo de adaptação à linguagem cinematográfica (a falta de ideias está patente naquele repetitivo separador com a neve a cair...), e, acima de tudo, refugiando-se em demasia no facto de ser, apenas, um "conto de natal perverso" - ficamos a perceber isso logo nos primeiros minutos, não era preciso dizer-nos isso em cada cena... Claro que os actores são óptimos, mas não há muitas mais razões para que uma história já vista e uma realização desinspirada se prolonguem em cerca de duas horas de fita. Uma pena, mas tenho de o considerar sobrevalorizado.
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http://cinedrio.blogspot.com/
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Paulo Ferrero |
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O cinema do veterano Resnais é tudo menos velho: de uma concepção moderna e ousada, «Coeus» chega a cheirar a leveza, a frescura. É ousado na mise en scène, e tem uma abordagem verdadeiramente original aos corações solitários, a que a neve da vida não dá tréguas, mesmo numa cidade eternamente romântica como Paris.
A direcção de actores é soberba, não só no clã tradicional de Resnais como nos recém-chegados. No entanto, as prestações de André Dussolier e Pierre Arditi são perfeitas (o longo monólogo confessional de Arditi a Sabine Azéma é a melhor cena de todo o filme). É, além disso, uma filme de nuances, um filme francês, um filme a não perder.
Cine-Australopitecus |
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Alex Aranda |
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Corações Partidos
Confesso que não sou (infelizmente) grande conhecedor da obra de Alain Resnais. Vi há muitos anos o lindíssimo “Hiroshima, Mon Amour” (imperdoavelmente, ainda não comprei a muito boa edição DVD existente no nosso país). Escaparam-me “Mélo”, “Mon Oncle d`Amerique” e “On Connait La Chanson”. Por isso só posso avaliar “Coeurs” pelo filme e sem comparação com a obra de Resnais.
“Coeurs” traz aquele retrato das vidas humanas e das suas relações e emoções, como o cinema francês sabe fazer (tão bem). Mas as histórias contadas têm algo de triste e amargo. A excepção é mesmo no episódio da stripper com o idoso que ela cuida de noite, em que ela lhe dá um strip-show tal que o acamado levanta… o ânimo pela vida.
A naturalidade e profundidade dos diálogos e das situações encontram enorme cumplicidade na excelência das interpretações do excelente elenco. Ganhamos estima e carinho por todos aqueles personagens e desejamos que tudo corra pelo melhor, apesar de sabermos que poderá não ser assim (tal como na vida).
O mais notável é que “Coeurs” consegue ser um belíssimo filme apesar da tristeza das histórias que conta.
Um dos melhores de 2008. |
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Joaquim Lucas |
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CORAÇÕES
Corações», do francês Alain Resnais, é a mais recente proposta do pujante cinema francês em exibição nas salas portuguesas. Adaptado da peça de teatro «Private Fears in Public Places», «Coeurs», no seu título original, obedece a uma lógica de crítica mordaz à sociedade actual. Sobretudo nos meios urbanos, em que cada um vai dissimulando a sua própria solidão com máscaras de personagens que não têm coragem de assumir em público. Neste particular, o filme de Resnais é profundamente caricatural e em termos formais a transição de cenas vai-se dando sob a capa de uma interminável tempestade de neve o que faz lembrar um pouco as origens do argumento. A gélida tempestade de neve, sempre presente até ao final da película, não é mais que um simbolismo ligado ao frio com que batem os diversos corações das personagens em acção.
A narrativa parte da busca de uma casa maior para o casal Dan e Nicole. O par vive uma crise conjugal da qual se mostrará incapaz de sair. Dan é um antigo militar que passa os dias mergulhado no álcool e nas sestas que faz pela tarde fora o que se revela insuportável para Nicole. Arthur é o agente imobiliário de serviço a ambos. Ele que nutre uma secreta paixão pela muito religiosa e puritana Charlotte, sua colega de trabalho. Charlotte que, no final do dia, ainda cuida de Arthur, um velho acamado e louco varrido que é pai de Lionel, justamente o barman do bar do hotel onde Dan passa os dias a emborcar copos. Pelo meio ainda surge Gaëlle, irmã de Arthur, que busca fugir da solidão através de encontros promovidos em jornais e na Internet. Como cereja em cima do bolo, umas estranhas cassetes vídeo supostamente gravadas de programas religiosos acabam por se tornar no sumo dos dias para Arthur.
Nesta incursão cinematográfica por ambientes mais ligados ao teatro, pode dizer-se que a visão de Resnais sobre a solidão das gentes na grande cidade (de Paris) é invariavelmente melancólica e mesmo quando os diálogos se declaram hilariantes partem sempre de um sentimento de desgraça ou menos positivo relativamente à acção das personagens. O refúgio no álcool, na pornografia ou mesmo a aventura de esperar sentada num bar por quem não se sabe rigorosamente nada para além daquilo que está descrito num anúncio de “alguém que procura alguém”, são para a realização a única forma de redenção de almas solitárias sem amor e muito menos esperança de o vir a alcançar. E quando o tentam fazem-no de forma tosca, atabalhoada. Mesmo quando Gaëlle e Dan parecem no bom caminho para o conseguir, rapidamente Resnais lhes retira o tapete da felicidade.
Em suma, estamos na presença de um cinema reflexivo, crítico, mas deveras negativista que surge de França ao estilo das depressões do clima que normalmente nos chegam do norte da Europa. No fundo, é como se Resnais quisesse curar uma bebedeira com outra bebedeira pelo que o tom nada tem de motivador para o espectador que hipoteticamente possa passar pela circunstância de viver na situação descrita de alguma solidão. Apesar disso, no final do filme é possível que esse mesmo espectador sinta uma sensação estranha de bem-estar psicológico. Talvez porque depois de um exigente exercício – mental, neste caso – é bom descansar um pouco e poder avaliar a bondade do esforço feito. Isto pese algum sacrifício passado para o concluir.
Coeurs, de Alain Resnais, com Sabine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi, Laura Morante, Isabelle Carré e Claude Rich
www.cartoriomental.blogspot.com |
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SÉRGIO DIAS BRANCO (Cinema2000) |
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Reencontro com Alain Resnais. É sempre um prazer, mesmo com dois anos de atraso. O cineasta adapta de novo uma peça de Alan Ayckbourn depois de «Fumar»/«Não Fumar» (1993) com um tom artificioso — e não artificial — que dá forma à prisão e solidão que os magníficos actores representam. Mas esta não é uma obra sobre a irremediável separação das personagens, mas sobre as nuances dos espaços em que elas dialogam e dos gestos que as unem ou afastam. O mundo é demasiado anguloso, a neve teima em cair, mas as pessoas pulsam e inventam formas de comunicar que não passam só pelas palavras. Mais subtil do que as criativas transparências/opacidades da direcção artística, é a maneira como Resnais imprime rupturas de escala e ponto de vista, criando diagramas das relações das personagens — por exemplo, o corte entre o grandioso voo inicial sobre Paris e o grande plano da boca de Laura Morante e depois de André Dussollier.
http://www.sd-b.blogspot.com |
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