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Este País Não é Para Velhos
Título original: No Country For Old Men
Título (Brasil): Onde os Fracos Não Têm Vez
Realização: Ethan e Joel Coen
Intérpretes: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald
Estados Unidos, 2007
Estreia: 28 de Fevereiro de 2008
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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O tempo é o nosso, em que os ladrões de gado deram lugar a traficantes de droga e as pequenas cidades se transformaram em campos de tiro. A história começa quando Llewelyn Moss descobre uma pickup guardada por um grupo de mortos. Um carregamento de heroína e dois milhões de dólares em dinheiro vivo estão ainda na caixa aberta da carrinha. Quando Moss leva consigo o dinheiro, despoleta uma reacção em cadeia de catastrófica violência, que nem mesmo a lei — na pessoa do idoso e desiludido Xerife Bell — consegue travar.
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* Joel e Ethan Coen, Tommy Lee Jones, Josh Brolin e Javier Bardem no Cinema2000.
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Nomeações para os Oscars (8)
* MELHOR FILME, Scott Rudin, Ethan Coen, Joel Coen
* MELHOR REALIZAÇÃO, Ethan Coen, Joel Coen
* MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO, Javier Bardem
* MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO, Ethan Coen, Joel Coen
* MELHOR FOTOGRAFIA, Roger Deakins
* MELHOR MONTAGEM, Roderick Jaynes (Ethan Coen, Joel Coen)
* MELHOR SOM, Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff, Peter F. Kurland
* MELHOR MONTAGEM DE SOM, Skip Lievsay |
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Eurico de Barros
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O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias a 12 de Março de 2008.
Grande vencedor dos Óscares, este é o melhor filme de Joel e Ethan Coen desde «Fargo». Adaptando com grande fidelidade o livro homónimo de Cormac McCarthy (cujo título deveria ter sido traduzido como "Esta Região não É oara Velhos"), os Coen assinam um empolgante filme-perseguição na paisagem mítica do western, que é também uma meditação pessimista sobre a crescente impotência do bem ante o mal. Josh Brolin, Tommy Lee Jones e Javier Bardem são magníficos. |
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João Lopes
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Quem continua mais ou menos à deriva são os irmãos Coen. O seu novo filme — «No Country for Old Men», baseado no romance de Cormac McCarthy — é (mais) um exercício de estilo, uma espécie de western contemporâneo que hesita entre vários registos, da paródia à especulação filosófica, sobrando uma manta de retalhos plena de "know how", mas sem coesão interna.
(Cannes 2007)
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diogo andrade |
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Um filme sobre o mal.O mal é aleatório. Não há uma lógica superior.Tommy Lee Jones coloca-se de fora: esta espécie de mal já não pode ser combatida por um justiceiro.
O mundo tomou um rumo que nega o esforço de séculos de civilização.
Os irmãos Cohen colocam-nos perante um espelho, um reflexo metafórico de um mundo de erosão, um deserto moral e afectivo, uma sociedade que já não o é porque foi atomizada. Mais uma versão de american psycho, só que em vez de ser um retrato doa indivíduos é um retrato do estado das coisas, do produto de uma cultura que perdeu a alma. |
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Suse Sousa |
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Uma certa noite lá estava um mau tempo que dava medo de sair à rua, tinha passado no club video e vi este filme, tinha sido falado no melhor do ano, hanhou uma data de óscares, então levei-o para casa.
Comecei a ver e no inicio até estava a ser interessante e tinha mesmo história para pensar e imaginar o que é que poderia sair dali, até que de um momento para o outro...pufff!! acabei o filme a olhar para os lados e pensei..acabou??? Tanta coisa para isto..e vou tornar palavras de uma outra pessoa que pensou o mesmo..se este foi o que ganhou..imagino os outros...
Classificação: 1 estrela (pela 1ª hora do filme)
Suse Sousa |
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Ana Melo |
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Um bom filme sem dúvida. No entanto questiono se terá merecido o galardão de Melhor filme.
Pessoalmente impressionou-me mais o "Haverá Sangue".
Grandes interpretações neste filme dos irmãos Coen de facto. Tommy Lee Jones e Josh Brolin estão muito bem; Bardem está soberbo, mas ainda assim, marcou-me mais a interpretação de Casey Affleck em "O Assassínio de Jesse James".
Confesso que não sei se o Oscar de Melhor Actor Secundário foi merecido...reforçando no entanto que é, de facto, uma grande interpretação de Javier Bardem.
Não me parece, sendo indiscutivelmente um BOM FILME, que "Este País Não É PARA VELHOS" seja uma obra-prima. Grande fotografia, bem realizado, argumento interessante, mas...ao assistir ao filme senti que falta qualquer coisa.
Podemos extrapolar, fazer várias leituras do filme, ver nele uma certa América...mas ainda assim...sendo um filme que vale a pena ver, ficou aquém do que eu esperava.
Um bom filme, sem sombra de dúvida, mas...uma obra prima? Para mim não. |
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Sérgio Palma |
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| Um dos poucos filmres que devem ser vistos, pela sua actualidade |
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Ana Paula |
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Gostei muito do filme, apesar de na minha opinião existirem filmes mais interessantes no passado dos irmãos Coen (ex. Fargo). Muito se disse sobre a inferioridade deste filme em relação ao seu concorrente dos Óscares "Haverá Sangue". Na minha opinião este filme é muito melhor, pela sua honestidade, simplicidade, originalidade e sentido do humor. Já para não falar da interpretação do bisonte Javier Bardem acompanhado da sua garrafinha de gás que tanto jeito lhe faz. Todas as personagens estão muito bem apanhadas, e todas se regem pelo inevitável destino de que não há nada a fazer, que no fundo já toda a gente sabe como tudo vai acabar. Claro que consciente desse facto está apenas Tommy Lee Jones, que se considera fora do tempo num país que não é para velhos e desiste logo de fazer algo por isso, quando se fosse outro filme o aparecimento da sua personagem seria uma réstia de esperança para travar o homem da moeda. Não considerei o filme assim tão violento como isso, achei o "Haverá Sangue" muito mais violento.
O filme não é obviamente um épico, daí que não seja propriamente o filme do ano. Porém, é um filme inteligente e completamente diferente do que estamos habituados, daí que não lhe posso dar menos do que 4 estrelas.
PS- As personagens estão tão bem enquadradas que ainda as imagino a continuar a sua vida no Texas (as que sobreviveram...) |
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MAFALDA ALMEIDA |
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os irmãos cohen não tem filmes banais, nem filmes «pipoca» para nos entretermos num domingo em k chove. os irmãos cohen tem filmes bons ou realmente mt bons mas k nem td a gente aprecia.
fui com receio ao cinema, mas fã nº1 de cinema n poderia de deixar de ver o grande premiado dos óscares! Gostei mt do filme. javier bardem está soberbo, genial no papel de psicopata transloucado. simplesmente genial! mt boas interpretações no geral. não axei o filme nada parado ao contrário de mt gente axei que a evolução da história nos deixava colados ao ecrã e nunca vou esquecer a falta de banda sonora durante td o filme que transmite um grande realismo. |
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Croks |
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| Que perda de tempo. Os membros da academia estão a precisar de óculos e um bocadinho de bom senso. Este filme é bastante fraco comparado com "Haverá Sangue" de Paul Thomas Anderson. O único prémio que este filme merece é o de melhor actor secundário para Javier Bardem, de resto esqueçam, foram cometidas injustiças na atribuiçao dos prémios. Tudo neste filme é fraco. Não aconselho a ver. É uma perda de tempo. |
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João Forasteiro |
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| Fiquei um pouco desiludido com o Filme, se calhar porque tinha uma expectativa muito grande em relação ao filme. Mas se este ganhou o Óscar de Melhor Filme, então os outros candidatos devem ser fraquinhos. Quanto ao melhor actor secundário, não comento. |
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Inês Novo |
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Uma perfeita desilusão.
História aborrecida,cenas consecutivas demasiado paradas, bons actores em papéis que não potencializam a sua capacidade de representação.
Xavier Bardem acabou por ganhar um Óscar por este papel em que poucas linhas de texto teve de decorar e poucas expressões faciais teve de esboçar. O homem esteve sempre com a mesma cara do princípio ao fim do filme. Complicado...
Só mesmo os "iluminados" é que captam uma mensagem erudita qualquer, que me passa completamente ao lado.
Oxalá o filme não seja o espelho do livro, pois não suscita qualquer vontade de o ler. |
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Joaquim Lucas |
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ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS – de Joel e Ethan Coen, com Tommy Lee Jones, Josh Brolin e Javier Bardem
UMA PIADA MAL CONTADA
Sejamos honestos, numa sociedade cada vez mais normalizada, economicista e dependente, surpreende pela positiva verificar o elogio da loucura que foi idealizado pelos membros da Academia de Hollywood ao elegerem «Este País Não é Para Velhos» como o melhor filme de 2007. Mas, caramba, vamos lá a abrir os olhos, não passou disso mesmo. Infelizmente, acredito estarmos perante um filme ‘non sense’ no pior sentido do termo, muito aborrecido aqui e ali e, arrisco dizer, um filme falhado. Ninguém me tira da ideia que a realização dos dois peculiares irmãos não quis mais que contar uma anedota, bem embrulhada em papel modelo sátira, é certo, mas uma anedota que se revelou sem a mínima piada. Mas a Academia riu abundantemente embora, quero crer, sem saber lá muito bem porquê. O que resulta disto é que se há algures por aí uns tolinhos (sorry) não são certamente os Coen.
Os irmãos Coen, esses, reconheça-se, fazem da alienação a sua arte. Mas em cinema nem sempre isso basta e neste seu filme ficaram muito aquém do minimamente exigível. E quando se tem bons actores (Tommy Lee Jones, por exemplo, deu-se muito bem como Sheriff Bell), uma fotografia admirável e, o melhor do filme, alguns diálogos assombrosos em inteligência e humor, já se pedia pouco a Ethan e Joel Coen: pedia-se apenas que conseguissem alguma profundidade psicológica quanto ao argumento e às personagens e, já agora, que procurassem que a história que quiseram contar fizesse algum sentido aqui e ali. O final do filme é paradigmático desta falta de senso. Somou-se dois mais dois, a conta deu cinco, estava errada e ninguém a corrigiu.
Uma outra nota para a personagem de Javier Bardem – protagonizada de modo muito sofrível por este – que não destoa do restante: a sua caracterização tem montes de piada, ok, mas porquê assim? Quem é este homem, por que age o diabo do rapaz de modo tão desapiedado e desapaixonado e, sobretudo, por que não matou ele o idiota que lhe corta o cabelo daquele modo ridículo? Se calhar até matou, mas ninguém no-lo disse. E terá, a tê-lo despachado, Anton Chigurh (Bardem) usado no assassínio do seu barbeiro oficial o original método da moedinha e da escolha de cara ou coroa? Estes Coen são um pagode e levaram o seu circo até aos Óscares. Com sucesso, diga-se.
Em suma, se aquele país não é para velhos este filme não o prova. É que, ironicamente, para além dos já citados diálogos admiráveis o melhor de si é, afinal, o velho Sheriff Bell. E os novos que vagueiam pela tela parecem umas baratas tontas a atirar em tudo quanto mexe. Mas é justo, no fundo no fundo é tudo uma simples questão de cara ou coroa. Eh!
Classificação: **
Joaquim Lucas
www.cartoriomental.blogspot.com
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Filipe jac |
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| O tema do mal já foi melhor como a primeira versão do Halloween. Este filme é um bocejo |
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Catia |
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Gosto de filmes que me façam pensar, entender a mensagem que pretendem passar..
Mas..
Este filme é sem sombra de duvidas o pior filme que eu já vi em toda a minha vida!
E mais, nunca vi uma sala de cinema que de inicio estava cheia, com tanto movimento, pois eram constantes as pessoas que abandonavam a sala!
Eu, aborrecida, ainda fiquei ate ao final, mas com arrependimento, pois nem o final se safou!
Enfim.. |
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Jose |
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Este filme é uma grande seca!
A pouca mensagem que o filme possui, dilui-se num argumento pobre e difuso.
Personagens estéreis e vazias deambulam de forma quase parada, num ritmo de caracol. Aqui não existe nada para interiorizar, apenas o tempo que se perdeu. Esta moribunda obra é bem conclusiva quanto ao actual estado do cinema,onde a qualidade tem estado bem por baixo. |
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Liam |
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Este filme nao é para Idiotas.
O último trabalho irmaos cohen é um filme para pensar (o que entendo que seja doloroso para alguns) sobre a sociedade actual.
É a história de um homem que está a envelhecer e nao consegue lidar com a violência do mundo. É uma metáfora sobre a vida, filmado de forma corajosa e intensa.
O único filme "de oscares" que mostra algo de novo juntamente com o "haverá sangue" .Existem dois tipos de filmes: aqueles que vemos para ficar entretidos e aqueles que são feitos para pensar.Esta narrativa labirintica faz pensar. |
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Paulo Frade |
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Para mim foi o pior filme que vi este ano. Sem exageros, foi mesmo o pior...terminei o filme com um enorme bocejo, e a pensar que tinha perdido duas horas da minha vida. Trata-se de filme sem mensagem, sem uma linha condutora,um filme sem folego e brilho, simplesmente maçudo, entediante.
A personagem de Tommy Lee (actor que muito prezo), é extremamente cinzenta, sem interesse. Não compreendo a atribuição do Oscar de Melhor filme a esta pelicula.
A personagem de Javier Bardem também nao justifica de forma nenhuma o Oscar recebido. Enfim, um filme fraquinho e acima de tudo maçudo. |
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Miguel |
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Um filme que dá uma visão negativa do Mundo, não acredito que os psicopatas se portem assim, os normais é que pensam é que eles são assim...
As pessoas tem uma visão errada e pessimista do Mundo d de hoje... a história comprova que o Mundo está mutio melhor que à 500/1000 anos atrás...
Vamos ser positivos, vamos criar uma sociedade ainda melhor..
Eu penso que estes autores são pessoas frustadas, que estão revoltados...
façam amor não guerra |
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Francisco Marques |
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| Isto filme é uma seca!!!Sem essência nenhuma. |
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Ricardo Neves |
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CARA OU COROA ? SORTE OU MORTE?
O novo e hipnotizador thriller dos realizadores, galardoados pela Academia, Joel e Ethan Coen , este filme é baseado no aclamado romance do vencedor de um prémio Pulitzer, Cormac McCarthy. Com um elenco que inclui Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Javier Bardem, Woody Harrelson e Kevin Macdonald, o filme narra a história de Liewelyn Moss (Brolin), quando este descobre uma pickup que fora guardada por um grupo de indivíduos que entretanto morreram, onde encontra um carregamento de heroína e dois milhões de dólares em dinheiro. Quando Moss leva consigo o dinheiro, provoca uma reacção de violência catastrófica em cadeia, que nem mesmo a autorizarem, na pessoa do idoso e desiludido Xerife Bell (Jones), consegue travar. À medida que Moss procura escapar aos seus perseguidores em particular a uma misteriosa personagem que atira a moeda ao ar para decidir se poupa ou não uma vida (Bardem), o filme desmonta o género do crime dramático americano e alarga os seus horizontes.
Ricardo Neves
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Anibal Silva |
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Grande filme sem duvida, tão grande que só dava vontade de vir embora a meio.
Bem, ao que parece eu não fui ver o mesmo filme que os restantes comentadores, pois o No Country for Old Men que eu vi, não tinha pés nem cabeça, o filme não tinha nada a ver com o titulo (arrisco dizer que a branca de neve tem mais a ver com esse titulo) e simplesmente estava cheio de incongruências.
Andam aos tiros na rua e a policia simplesmente não aparece, um xerife meio panasca com crises de identidade é destacado para resolver uns 20 homicídios, ninguém fica a perceber direito de quem era o dinheiro, quem era a empresa e o porque daqueles diálogos rotos entre o cowboy-metrosexual e o preto gordo acerca de um andar qualquer que não existia.
Ha quem diga que o monologo final do tommy lee jones é qualquer coisa de esclarecedor, eu pessoalmente não achei, achei secante, digno de uma pessoa pronta para ser internado num lar da 3ª idade.
Só tenho mesmo pena foi dos euros que gastei pra ver tamanha pessegada, e das 2h da minha vida que perdi.
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aliena |
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Fui ver este filme nos cinemas das twin towers em sete rios: ambiente sossegado (nem se ouvia respirar apesar de a sala ter ainda algumas pessoas)e nada de adolescentes e casalinhos irritantes.
Por algum motivo este filme não passou no colombo e no alvaláxia... |
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Pedro Fonseca |
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Foi com grande expectativa que fui ver o suposto melhor filme do ano. Embora algo lento, o filme até estava a ser muito bom. Estava-se a assistir a grandes interpretações por parte dos actores, em especial do galardoado Javier Bardem (óscar justíssimo), e uma história que estava a cativar e a entusiasmar. No entanto, à medida que o filme ia chegando ao fim parece que tudo parou. Parece que decidiram acabar o bom filme que estava a ser até então e começar um outro filme que pouco ou nada tinha a ver com o anterior. De qualquer forma, o saldo final é bastante positivo embora tenha ficado bastante desiludido com os 20 minutos finais do filme.
Classificação: 7
Pedro Fonseca
http://mundoemquevivemos.blogspot.com |
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Jean-Luc Monteiro |
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Este filme é um miserável e pouco original "remake" de Fargo. Os irmãos Cohen voltam a dizer o mesmo que já tinham dito nesse filme e abusam da violência, gratuita e exagerada, para encherem a falta de inspiração. Gostaria que os que criticam positivamente "No Country For Old Men" me explicassem o que, para além do efeitos formais (interpretação, montagem, fotografia, etc...), viram nele que já não tivessem visto no "Fargo". Acrescento ainda que "Fargo" não é nem tão comercial nem tão comprometido com a indústria de Hollywood como este oscarizado "No Country...".
Pessoalmente, achei que era um filme sem conteúdo, sem "mensagem", um filme que não tem nada para nos dizer e que apenas procura entreter o público com a sua fotografia e cenas de violência absurdas e de muitíssimo mau gosto (para além de serem completamente irreais num filme que pretende ser, minimamente, um retrato real de uma certa América). A repetição incontinente de cenas de tiroteio (praticamente de 5 em 5 minutos alguém é baleado) torna esta película previsível e enfadonha. Diria mesmo que metade do argumento do filme consiste no "tactactac" das armas e que se ouvem mais disparos do que diálogos, sem que esses disparos por si só signifiquem coisa alguma. Estão apenas ali para impressionar o público e nos tentar fazer esquecer que os realizadores não tinham rigorosamente nada para dizer. Resumindo, fiquei desiludido até porque, de um modo geral, gosto mesmo muito dos filmes dos irmãos Cohen. Este, porém, é demasiado mau para que valha a pena que se perca tempo com ele. Um filme inútil. |
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Paulo Ferrero |
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Os manos Coen estão de volta com um filme que é, sem sombra de dúvida, o seu melhor filme desde ... «Blood Simple», ou seja, desde há mais de 20 anos. Os Coen deixaram de lado a chachada cómica em jeito de screwball comedy, mais ou menos espalhafatosa, e o vazio de ideias em circuito fechado, dos seus últimos filmes, e remeteram-se à secura narrativa dos primeiros tempos, à história policial, sem mácula; à secura do deserto, do velho Oeste, do imaginário do enorme Peckinpah. Na verdade, mais de metade de «No Country for Old Men» está repleto do autor de «The Getaway» e «Bring me the Head of Alfredo Garcia».
A partir de um `embrulho` aparentemente simples - uma daquelas historietas policiais, mais ou menos suculentas, de edições de bolso, em que `ladrão que rouba a ladrão ...` - os manos Coen tiraram da cartola um filme excelente, com um toque metafísico, em que o Mal, personificado num tarado sem escrúpulos, obcecado pela perfeição de fazer mal (numa composição de Bardem que vai muito para além do seu penteado...) e não é vencido, nunca (agruras da vida...).
Artística e tecnicamente bom, ainda tem lugar para um fim abrupto, explicável pela inexplicabilidade do inevitável. Já me esquecia: cheira a «Touch of Evil», de Welles. Mas, tudo pesado, o filme de Paul Thomas Anderson é de outra galáxia, com outra estaleca, e por isso o Óscar é algo injusto, explicável, apenas, pela inevitabilidade dos critérios da Academia estarem a mudar, por força das circunstâncias.
Cine-Australopitecus |
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Ana Nunes |
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| Este comentário não é tanto para falar do filme, que de facto é um grande filme e dos cinco nomeados mereceu o oscar (apesar de não ser o melhor filme que vi este ano...),mas serve para dizer que há cinemas onde não há barulho e muito menos pipocas. Nesses cinemas sim, é bom ver um filme! |
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João Oliveira |
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| Grande filme. Personagens fortes, boa história, bons actores. O Javier Bardem mereceu o Oscar (só aquela primeira cena na esquadra da polícia...). Aproveito para mostrar a minha total solidariedade com o Luís Filipe... Tb eu me vejo grego para ir ao cinema, sempre a tentar escolher sessões mais vazias, sem gente que fala, atende telemóveis, consulta mensagens, sem risinhos e brilhos de pirilampo a toda a hora. Se uma sala de cinema servir de exemplo da qualidade da cidadania portuguesa, e eu parece-me que sim, está explicado porque somos o traseiro da Europa. |
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www.grandesplanos.blogspot.com |
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Há uma cena em No Country for old Men, que me agarrou a atenção e me fez lembrar o porquê de os irmãos Coen, terem sido os meus heróis cinematográficos no início dos anos 90. Lewlind Moss, está sozinho no seu quarto de motel. Lá fora parece estar o assassino psicopata que o persegue, desde que Moss descobriu uma mala cheia de dinheiro. Nessa cena, estamos presos ao ponto de vista de Moss, e isso no universo coeniano, implica ficarmos presos num quarto com um personagem, apenas ouvindo os ruídos, e vislumbrando as ténues variações de luz, que emanam da frincha da porta. Em suma, uma sequência plena de suspense e com uma encenação que nos remete para essa obra esquecida e genial que é Barton Fink.
Claro que não vou revelar o desenlace dessa cena, mas ela surge sensivelmente a meio do filme, e fez-me esperar que grandes momentos viriam aí. Enganei-me em parte. Grandes momentos , apenas só ultimos nos 10 minutos de filme, com os Coen a mostrar todo o poder da elipse, de forma simplesmente genial. Até lá, sequência após sequência, os realizadores, acabam por se repetir em universos e situações já por si explorados com muito mais originalidade e mestria, como foi no caso do superior Fargo. Essa repetição de temas e situações parece-me a mim algo esquemática e prejudicou-me o visionamento do filme. O que nuns casos se pode chamar de marca do autôr, em No Country For Old Men, parece-me sinceramente, desinspiração, pois muitas das situações vividas pelos seus ricos personagens, não parecem fazer nem avançar a trama, nem revelar personagens, e como consequência tornam-se maçadores.
Mas não crendo sêr injusto com o filme, há que referir a obra, tem muitíssimos méritos. Sendo de destacar a fotografia de Roger Deakins, a montagem e como é óbvio num filme dos Coen, as grandes interpretações. Incontornável referir em primeiro lugar a composição intensa e perturbada de Javier Bardem, que consegue transmitir com pouquíssimas palavras, toda a loucura e o mal que emanam do seu Anton Chirguh. Realmente um dos personagens mais assustadores dos ultimos tempos. Tommy Lee Jones como sempre vai bem, e Josh Brolin, é uma revelação com a sua personagem a carregar surpreendentemente bem o peso da história.
No Coutry For Old Men, não é o filme do ano. É sim um belíssimo filme negro, e uma tentativa dos seus excelentes autores regressarem à boa forma. Filme do ano, esse foi outro. Um tal de There Will Be blood…
Luís A. |
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Luis Filipe |
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A historia faz me sair de casa e voltar ao cinema, mas volto com a mesma sensaçao de sempre, um filme fantastico, mas as pessoas... será a minha falta de paciencia, incompreensao, a falta de tempo para outro horario, ou sao mesmo as pessoas que me irritam.
Houve partes do filme em desejei que este tivesse banda sonora, mesmo, para abafar o som das pipocas dos risinhos, e ate mesmo o brilho dos telemoveis.
Anton Chigurh repara um dano causado no seu corpo no wc, risos pela nudez?!?! Que é isto!!!
Cinema só em casa. |
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Pedro Ramalhete |
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| Boa realização, bons desempenhos de Bardem e Jones, paisagens belas, oscar de melhor filme mal atribuido. Embora tenha gostado do filme, acho que não é um bom filme, os Coen têm um excelente Fargo que aniquila de longe Este País Não é Para Velhos. |
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Rui Pinto |
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Tudo o que de bom foi dito sobre o filme é rigorosamente verdadeiro. Trata-se de uma peça de autor(es) e não de meros tarefeiros de Hollywood. Marcou-me o início, a perda dos referenciais.
Contudo...todo o portentoso programa estético, moral ou outro do filme e da história é tão ambicioso que leva a que o filme se comece a desconjuntar, quase imperceptivelmente, a partir da chegada à cidade fronteiriça.
A partir daí tempos e coerências de argumento começam a dar lugar ao prolongar/repetição de soluções e a indecisão de olhares. Não o querendo (ou querendo)acaba por ser um filme-mosaico com mais do que uma história dentro da história.
Falta um golpe de asa, uma linha que cosa algumas das coisas que se descosem na história.
No limite, arrisca-se a ficar conhecido como o filme que deu origem ao mais famoso psicopata da história do cinema.
Se assim vier a suceder, então as intenções globais do filme terão sido ultrapassadas por uma solução/aspecto restrito da história.
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Fernando Oliveira |
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“Vale mais cair em graça do que ser engraçado”, é um ditado popular que define muito bem a relação do cinema dos irmãos Cohen com os cinéfilos. Depois de em meados dos anos oitenta nos terem dado esses dois monumentos de negro nonsense, que foram “Blood simple” e “Miller`s crossing”, os Cohen realizaram uma quantidade de filmes em que os maneirismos formais, fazer de cada filme um programa, substituíram o prazer de fazer cinema. “Fargo”, em 1996, foi a excepção. Mas a verdade é que a ideia feita de uma certa qualidade de autor e de espírito de independência sempre fizeram que o seu cinema fosse demasiado valorizado em razão à sua verdadeira qualidade.
Este “No country for old men”, baseado numa novela de Cormac McCarthy, é por isso mesmo uma verdadeira surpresa, onde os Cohen perderam as suas manias e realizaram uma excelente espécie de western moderno sobre a falta de racionalidade da violência.
Os “homens velhos” do título são aqueles que cresceram baseando a sua vida em certos limites; bons ou não, não é isso que interessa; e onde havia a capacidade de explicar os porquês das coisas, e que se descobrem num mundo onde a falta de razão e de âncoras é o máximo denominador comum. O xerife Ed Tom Bell, o grande Tommy Lee Jones, é o exemplo perfeito desses homens, que não compreende a violência que acontece à sua volta, mas que tenta corresponder com o saber doutros tempos. Sem hipóteses.
A personagem principal não é Llewelyn Moss, outro perdido nos tempos que correm, que ainda não sabe que o é. A personagem principal do filme é Anton Chigurgh, extraordinário desempenho de Javier Bardem, nome impossível para uma das mais tenebrosas personagens que o cinema moderno nos deu. Ele mata sem razão, apenas porque lhe apetece, sem causas, por vezes cedendo ao fortuito do “cara ou coroa”, imagem mais que perfeita da violência nos tempos de hoje.
É magnífica a forma como os Cohen filmam as paisagens, rurais ou urbanas, do Texas
como se de um poema (negríssimo poema, mas um poema) visual se tratasse. Imagens sujas e áridas, inóspitas e solitárias para os personagens, onde a personagem de Bardem, Chigurgh, se move como um imparável anjo da morte.
Além da magnífica fotografia de Roger Deakins, tenho de destacar o extraordinário trabalho com o som, e os silêncios, de Craig Berkey: como em poucos filmes, nunca uns e outros foram tão importantes na definição da ambiência deste, quase perfeito, trabalho de Ethan e Joel Cohen.
Enorme trabalho dos actores, para além dos dois referidos e de Josh Brolin é de referir também o desempenho de Kelly McDonald, numa personagem que é tão frágil que até dói ao vê-la.
Um dos melhores filmes de 2007.
Fernando Oliveira
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Luís Mendonça |
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A primeira metade de "No Country for Old Men" faz-nos recuar à sequência irrespirável do enterro do marido atraiçoado de "Blood Simple" (1984), o primeiro filme dos irmãos Coen: narrativa vaga, repleta de interrogações e com poucas respostas, o que nos obriga a ficarmos retidos na cadência das imagens, todas elas magnificamente enquadradas (belo trabalho dos Coen e de Roger Deakins, o seu fiel director de fotografia), mas, acima de tudo, bastante bem articuladas entre si, através de uma montagem cinética, trabalhada ao milímetro, que se desenrola lentamente, embalada pela repetição calculada de certos sons intercalados por momentos inquietantes de silêncio (e louvo desde já a coragem, mas acima de tudo o árduo trabalho dos Coen, ao terem evitado o uso de qualquer tema musical, mas nem por isso podemos dizer que não há banda sonora, já que a engenhosa manipulação de sons supostamente "naturais" dão um ritmo intenso à intriga). Nada disto é novo nos Coen (veja-se, ou melhor, ouça-se de novo a ventoinha ou o "estorricador de moscas" em "Blood Simple"), mas em "No Country for Old Men" a montagem funciona como um relógio suíço: mecanicamente perfeita.
Na segunda metade do filme (sensivelmente depois da primeira “confrontação” entre Bardem e Brolin), parece que os irmãos Coen se recostam no livro e param de nos assoberbar com momentos espantosos de acção muda, directa e narrativamente descomprometida. Se antes ouvíamos apenas os passos das personagens, e as suas movimentações rumorejantes, dia e noite, no deserto e na cidade (que parece abandonada), surge na segunda parte uma dimensão discursiva, algo circular e exibicionista, que denota um certo desespero, a meu ver, precipitado, em dar profundidade literária às personagens – a “caça” dá lugar a uma intelectualização, pontualmente interessante, mas pouco original, da violência. Notamos, no entanto, que a personagem de Javier Bardem muda ligeiramente: mantém-se robótica, fria, com os estereótipos de um qualquer vilão de um "slasher movie", mas, na segunda parte, mais apostada em fazer valer a sua "doutrina do mal", tão simplista quanto o seu joguinho de sorte e azar - que tem um volte-face "divino" no fim, numa espécie de cedência tímida, mal disfarçada, à típica redenção hollywoodiana.
Mas não tenhamos dúvida de uma coisa: quem mantém a fasquia elevada até ao derradeiro minuto é Tommy Lee Jones (a melhor interpretação do filme) que é o rosto, marcado de dor, de uma América imisericordiosa, animal, mas também desencantada, resignada e fisicamente fatigada.
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http://pptom.16.forumer.com |
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Fernando Lopes |
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“Não há o país de ontem”
Ed Bell representa um tempo ético, com menos crueza. Mas o que nos parece dizer é que já não há, em parte alguma, um país que acolha e abrace os pacíficos, os calmos de espírito: não há uma tal terra, um tal lugar. Mas entre não haver (exclusivamente) um lugar para os “velhos” (não só na idade, mas os que transportam os valores de antanho) e aquele preciso “país” não ser para velhos (o que suporia, eventualmente, a escapatória, a alternativa inclusiva) vai um hiato. As denominações, ocasionalmente, são programas. É precisamente pela sugestão derivada do título que o filme enfraquece, mostra fragilidade. Vejamos: o cenário, quase de “western”, colige retalhos de uma geografia essencialmente rural, que dificilmente ascenderá à universalidade; não apresenta uma visão particular que nos esmague, que nos dê estremeções e nos encaminhe ao estabelecimento de qualquer relação afectiva ou interpretativa com uma tendencial violência generalizada na América ou no mundo – pelo contrário, somos guiados para uma topografia sem espaço (mesmo que surjam nomes concretos do Texas ao México), como se estivéssemos na Terra do Nunca; também não estamos perante uma amostragem de violência gratuita; trata-se somente de um segmento, muito particular, diga-se, de um género de criminalidade concatenada com a avidez do dinheiro como modalidade de singrar, de obter sucesso e comprar felicidade, afinal, casando bem com o que poderia ser um “novo país” que não é para “velhos”, para os "fracos", frouxos ou brandos; mas esta ganância é, simultaneamente, a da destruição fratricida (sem a demonização de um “outro” fora do horizonte de proximidade espacial, cultural), sintoma já de degradação e perdição irrecuperável, para Ed., do seu país de ontem.
Neste particular – da compreensão face à desumanização carreada na morte quase por sorteio -, não se chega muito além, nem seria esse, decididamente, o escopo estruturante do filme. A coisa fica-se pela estética amarelada de uma violência meticulosa, escrupulosamente levada a um muito bom momento cinematográfico: representações exemplares, cenários esmerados com uma fotografia que cumpre uma função combinada irrepreensível, com a contenção e montagem certas. No fim, porém sabe a pouco e a desapontamento: a peculiaridade dos Coen está lá, o seu cunho, seguro, e bom desenvencilhamento dos sinais que nos metem diante dos olhos. No entanto, sem humor de nenhuma coloração que nos manche e inquiete e que nos mereça realce, sem drama que provoque uma afecção, e mesmo sem suspense – muito previsível, excepto quando termina. Contudo, é justamente neste pano desencantado, por este flanco, que aflora cromática e simbolicamente o encantamento algum do filme – uma pseudo-trágica ficção protagonizada por um Chigurh com códigos de acção amanhados na insanidade normal, em modos quase de super-herói mau; os outros morrem, mas isso não interessa, ninguém dá por eles, ninguém os chora, nem mesmo o espectador (talvez uma excepção. Enquanto, por exemplo, em “Fargo” as personagens iam, gradativamente, partilhando os seus princípios com o espectador, gerando até cumplicidade, aqui os preceitos de Chigurh geram, não repulsa, mas uma equidistante indiferença no espectador similar ao seu método de matar). O logro está no título: prometia alguma coisa que não compareceu; mas não ter chegado também não constitui um problema, já que isso é um truque, uma mestria dos Coen, uma novel arte de nos enganar com classe, deixando-nos de suspensório pendente de balsa. Ainda assim, uma obliteração compensadora, na linha dos manos. Longe de ser o melhor filme do ano, fica-nos o ocre evanescente do passamento por sobre o lourecido do deserto: cemitério de que nos esquecemos de seguida, porque a violência é, “no país”, endémica, epidémica. Felizmente, não pode gerar pânico: aquilo é nos anos 80 e, de lá para cá, as coisas não pioraram. Ademais, tendemos a olhar para o passado com alguma certificação que nos deixa incólumes, impermeáveis: já foi, não nos pode já magoar. Senão, reformamo-lo numa interpretação apaziguante, se formos capazes, antes de nos perseguir e amedrontar.
Fernando Lopes (2008-03-01)
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Johnny Boy |
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No meio de um cenário sangrento de um tiroteio no deserto, Llewelyn Moss (Josh Brolin) encontra uma mala repleta de dinheiro e depressa se decide a guardar o dinheiro para si. No entanto a mala trás consigo demasiados problemas quando Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino profissional psicótico com uma determinação acima da média, é enviado para recuperar a mala e causa o caos na pacata localidade. Também o xerife local Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) se vai empenhar em resolver os crimes violentos, mas com uma visão muito pessoal sobre tudo ao seu redor.
Este País Não É Para Velhos é irmãos Coen no seu melhor. Se há coisa que estes dois não sabem fazer é desiludir. Todas as marcas características que estavam patentes na cinematografia de filmes como História de Gangsters, O Grande Salto, Irmão, Onde Estás?, Fargo e O Grande Lebowski estão também presentes neste filme. Há o humor perspicaz, há violência bastante gráfica, há personagens estereotipadas de regiões isoladas, há um argumento muito bem escrito com frases memoráveis…há mais um grande filme.
A acompanhar temos um Javier Bardem em grande forma, que provavelmente irá ser recompensado pela injustiça que foi não ter sido nomeado pela academia por Mar Adentro em 2005. A reprodução de uma mente psicopata por Bardem é de tal maneira realista que mesmo com um cabelo notoriamente (e propositadamente) ridículo a sua repugnância consegue assustar. Depois há ainda Josh Brolin (que ultimamente parece estar em todos os filmes) e Tommy Lee Jones, os dois com interpretações também elas dignas de todos os louvores que lhes vêm sendo pregados. Com papéis mais pequenos temos Kelly Macdonald e Woody Harrelson, secundários de luxo.
O que parece ter causado muita confusão a muita gente é a desarmonia do filme com a personagem de Tommy Lee Jones. A um primeiro olhar o xerife Ed Tom Bell pode parecer uma personagem descartável para o interesse do filme, mas com o discurso final, percebemos que afinal é o seu olhar sobre toda a violência e toda a impetuosidade da narrativa que devemos passar para primeiro plano. O desenvolvimento do filme serve para decifrar o título do mesmo, o porquê de aquele não ser “um país para velhos”. È este o pormenor que dá ao filme uma faceta poética, um olhar sobre as barbaridades de que as pessoas são capazes para atingir fins pouco importantes. E talvez os dois milhões na mala de Llewelyn não fossem merecedores de toda a violência a que se viu sujeito para os tentar guardar...
Nota Máxima: Interpretações e argumento de alto nível.
Nota Mínima: A falta de uma banda sonora ajuda a aumentar a tensão em alguns momentos mas também torna outros um tanto aborrecidos.
Classificação: 5/5
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Luis Pedro Martins |
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O FANTASMA DE UMA CERTA AMÉRICA.
Há um momento no filme em que é perguntado ao Xerife Bell (Tommy Lee Jones) o que ele pensa do vilão desta história, o aterrador Anton Chigurh (Javier Bardem), ao que Bell responde: “Não sei, é quase como um fantasma. Quem me dera que não andasse por aí. Mas anda.”
É sobre o fantasma de uma certa América que os irmão Coen tão genialmente retratam em "No Country For Old Men", nome roubado por Cormac Mccarthy à primeira linha do poema de Yeats "Sailing to Byzantium".
“Este País Não é Para Velhos” é um magnífico retrato de um tempo, que nos parece infinito, encerrado nas inóspitas paisagens do Texas. Passa-se no início da década de 80, mas podia-se passar no início do século XX, tais são os seus contornos bem marcados de Western. Mas é sobre o outro lado da América ou então sobre a América que sempre conhecemos, com os seus vultos bizarros, a tal bizarria tão Coeniana, presente acima de tudo em “Fargo”. Mas uma bizarria que não se reserva a ser um recurso estilístico de Ethal e Joen Coen, mas uma característica tão real como é real a América violenta que nos é dada a conhecer por milhões de imagens e testemunhos ao longo dos tempos. Tal como a visão do brilhante Cormac Mccarthy, arquitecto desta história. E quem mais que os manos Coen para lhe prestarem a merecida homenagem e evocação criando uma irmandade inesquecível? Ninguém mais no cinema actual, decerto.
O filme começa com a narração de Bell sobre um adolescente de 19 anos que confessa matar pelo simples prazer de matar. Sem redenção, nem culpa. “
(...) disse-me que andava a planear matar alguém há imenso tempo, já nem se lembrava há quanto. Disse-me que se o libertassem voltava a fazer o mesmo. Disse-me que sabia que ia direitinho para o Inferno. E eu sabia que era aí que ele iria parar, passados 15 minutos..” É aqui que reside a infernal personagem de Chigurh (que magnífica construção de Javier Bardem!). Acabamos por desconhecer o verdadeiro móbil dos seus actos, nem tão pouco os associamos directamente ao tráfico de droga. Simplesmente, mata. Com integridade. “You need to call it. I can`t call it for you. It wouldn`t be fair”. O que o girar da moeda dita, é o que Chigurh perpetua. Não tem sentido de humor, dizem. Os seus olhos raiados de sangue, a sua voz cavernosa, o seu andar manco, a sua implacável frieza e indestrutível senda assassina fazem-nos lembrar o verdadeiro Anjo do Mal. Quem é? O que, realmente, procura? Como redimi-lo? Nada disto interessa e é essa a particularidade das grandes personagens. A sua substância é feita dos seus actos. Não temos que compreender o seu passado, nem sequer imaginar o seu futuro. O cinema e a literatura não servem para nos redimir do que quer que seja, porque a vida, ela própria, não se redime nem se salva. Nem nos salva. É essa a América dos Coen, é essa a América de Mccarthy.
“Este País Não é Para Velhos” não nos salva de nada. Simplesmente é a adaptação fidelíssima de um grande romance. A construção magnificamente concebida de uma rede de personagens complexos, em que a fé, justiça e integridade humanas esbarram na sua negra natureza. Há momentos no filme ( e é isso que realmente conta) que aspergimos o seu fluxo sanguinário, e em que desejamos ardentemente que a cena que nos atormenta continue, para dar seguimento à próxima. É a ampliação de cada momento até ao ponto da alucinação, fazendo justiça à tradição do grande cinema negro. Que, afinal é a verdadeira matriz do cinema dos manos Coen. O bizarro, afinal, é a própria essência da violência humana, tanto como esta emana da sua própria natureza.
O melhor que se pode dizer deste filme é que está à altura dos antecessores “Fargo” e “História de Gangsters”, obras maiores do Cinema. E isso já é dizer muito. Que os Coen nos continuem a mostrar as negras pinceladas dessa certa América, que todos nós, afinal, adoramos. Não é, friendo? Cara ou Coroa?
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Alex Aranda |
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Tragam-me a Cabeça de Llewelyn Moss
Regresso dos Coen em grande e a um género onde são mestres – o western noir.
“No Country for Old Men” é uma crónica amarga, desencantada e violenta sobre a própria violência, mas também uma reflexão sobre o “estado das coisas” nos USA (e, se calhar, no mundo) face à violência e à forma como (não) se lida com ela.
O personagem de Jones surge como símbolo de valores, éticas e códigos dos “good old days” que hoje nada valem face a uma “nova América” que cada vez mais inverte ou destrói valores que outrora foram os pilares da nação americana. O personagem de Bardem é símbolo de uma nova violência cada vez mais excessiva, desmesurada, absurda, irracional e aberrante.
Por isso mesmo, talvez se deva ver esta obra dos Coen (a melhor, desde o fabuloso “Miller`s Crossing – para mim, ainda a sua obra-prima máxima) como um filme algo político. Contudo, e através do personagem de Jones, os Coen não deixam de acreditar nesses valores “antigos” e de acreditar que as coisas podem (e devem) mudar, havendo consciência das (enormes) dificuldades.
Pode ser essa uma justificação (ou mais uma, pois os méritos cinematográficos do filme são imensos) para a sua victória nos Oscars, dado que a Academia usa por vezes os seus premiados como “recados” do ponto de vista político, social e até ecológico.
Mas para além disso, o filme é um poderoso entretenimento, enquanto thriller em ambientes de western, com uma história muito bem escrita, plena de suspense, violência (muita e algo indigesta para os mais sensíveis), carismáticos personagens, excelentes interpretações (Bardem é temível, movendo-se como um Terminator de carne e osso; Jones é comovente na forma como interioriza as suas emoções, à semelhança do seu magnifico trabalho no igualmente magnífico “In The Valley of Elah”; Brolin confirma o seu talento emergente e uma excelente presença em ecran) e, como sempre nos Coen, muito humor negro. Fiel à sua enorme cinéfila, o filme convida à memória cinéfila – neste caso, tem de se pensar em Sam Peckinpah (ainda e sempre, o maior cronista da violência que o Cinema já teve).
Numa época em que se aproxima o fim de um “reinado” republicano nos USA e se aproxima um novo ciclo democrata pleno de “novidades” (será chefiado por um afro.americano ou uma mulher), foi bom ver o cinema americano a “olhar para o umbigo” da nação, reflectir sobre os seus males e expor as suas feridas.
“No Country for Old Men” é, em conjunto com “Gone Baby Gone” e “In The Valley of Elah”, um dos mais imprescindíveis filmes de 2008, e todos eles fazem um retrato de uma realidade perturbante (americana e mundial) que não se pode ocultar nem dela fugir. E todos eles “gritam” por uma mudança.
É este (também) um dos poderes do Cinema. |
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Victor Afonso |
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Há várias coisas que impressionam no oscarizado filme "Este País Não é Para Velhos" dos irmãos Coen. Uma delas - indo completamente contra a corrente convencional da linguagem fílmica actual- é a total ausência de banda sonora. Uma opção radical e ousada nos dias de hoje. Esta opção acaba por contribuir para dar uma maior dureza às imagens dramáticas do filme. A narrativa, sem música para suavizar ou intensificar emoções, transforma o visionamento da obra dos Coen numa experiência extremamente crua e austera (no bom sentido), quase como se estivéssemos a presenciar uma reportagem documental. Não há música, mas há sons e diálogos elaborados de forma prodigiosa. E há o final, dos finais mais crus e desarmantes que alguma vez vi em cinema. Um final de filme que é a antítese do princípio, muito mais poético e alegórico. E claro, neste final o espectador volta a receber sem piedade a frieza dos créditos finais sem música. Imagem. só imagem.
"Este País Não é Para Velhos" é um portentoso filme sobre a ganância, a violência que esta acarreta (terrível violência, como vimos no filme de gangsters "Miller`s Crossing"). É um filme que lança um olhar cáustico e desamparado para o desajustamento dos "velhos" face às transformações que o mundo moderno trouxe (como é expresso no diálogo entre o personagem de Lee Jones e de outro xerife). Joel e Ethan Coen misturam, neste filme, as referências estéticas dos géneros western e thriller com uma pitada de policial. E o resultado é explosivo. Há planos, enquadramentos, movimentos de câmara que são pura poesia visual. Há jogos de sombras (magnífica fotografia) que impressionam. E há Javier Bardem. Um Bardem que encarna um dos psicopatas mais perturbantes e obsessivos da história do cinema (e nesse capítulo, a competição é forte). O seu "horrível corte de cabelo", como referiu na entrega do Óscar, só acentua a sua figura quase esfíngica, o seu olhar demolidor. Imprescindível.
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José Manuel Freitas |
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O país da cobiça e do desencanto
Ed Bell é um homem velho. As rugas são as marcas do tempo que já viveu. É um xerife de outros tempos. Logo no início de “Este país não é para velhos” recorda, com nostalgia, outros xerifes, num tempo em que para serem autoridade nem precisavam de usar a arma.
Ed Bell, interpretado por Tommy Lee Jones, não quer usar a arma. Mesmo confrontado com mortes violentas no seu território. Ao longo de toda a história só por uma vez tira a pistola do coldre e nem sequer a aponta a alguém. Serve apenas de segurança, contra quem possa querer evitar que atinja a reforma.
Ed Bell deseja a reforma. Até que esse dia surja, e não está longe, não quer ser alvo de nenhum tiro. Prefere jogar pelo seguro. Entra nos locais sempre depois do adjunto e prefere montar o cavalo mais certinho. Os casos difíceis não são para ele. É um homem perdido nos dias de hoje. Surpreende-se com os novos crimes e as suas causas. Em definitivo, este país - aquele país -, não é para homens velhos. Como ele.
Ed Bell tem um azar. Llewelyn Moss (Josh Brolin), um conterrâneo, encontra uma pasta cheia de dinheiro num cenário de cadáveres. É dinheiro da droga que Moss não hesita em querer guardar. Moss também tem um azar. Anton Chigurh quer esse dinheiro. Chigurh, uma interpretação extraordinária de Javier Bardem, não hesita em matar para atingir os seus fins. Sem remorsos e sem moral. Ou apenas a fazer depender a sua execução da opção entre caras ou coroas numa moeda que se atirou ao ar. Ali, no virar da moeda, está a decisão da vida e da morte para alguém.
E aqui está uma marca dos filmes dos irmãos Coen, onde as circunstâncias comandam a vida das personagens. A tal questão de oportunidade, estar no momento e no local certo.
A cobiça, pelo dinheiro, é o que faz mover Moss, Chigurh e outras personagens que nos remetem para o Texas profundo, ainda a sentir dificuldades para chegar aos novos tempos. Esta é a América de Bush, ex-governador do Estado. Com muito pouca esperança mas onde o dinheiro é quem mais ordena.
E chegamos à cobiça, uma presença constante no cinema dos irmãos Coen. Desde o primeiro filme, “Sangue por sangue”, já lá 24 anos, que as obras mais significativas da dupla ficaram marcadas pelo desejo. Seja de poder, de dinheiro, de sucesso. Foi assim em “Uma história de gansters”, em “Barton Fink”, em “O grande Lebowski”, em “Irmão onde estás?” e, sobretudo, foi assim em “Fargo”. Em “Este país não é para velhos” deixamos o frio do Dakota do Norte para o calor do Texas, deixamos a simples mas empenhada mulher polícia para encontrarmos um desencantado xerife, que prefere não ser incomodado. Mas continuamos a ter tudo. Há história, contada a bom ritmo, e com laivos de humor no meio de tanto desespero. Há cenário, em grandes planos de desolação. Há personagens, construídas com um rigor tal que podemos traçar o seu perfil, quase apresenta-las uma a uma, mesmo que apenas as tenhamos conhecido por breves momentos e há muito pouco tempo atrás. Há cinema.
“Este país não é para velhos” foi adaptado, pelos próprios Coen, de um romance de Cormarc McCarthy, escrito em 2005. Não foi, mas podia ter sido escrito a ‘pedir’ uma adaptação ao cinema. Por Joel e Ethan Coen, claro. Ainda bem que eles se lembraram disso.
José Manuel Freitas
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Victor Afonso |
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Os irmãos Coen revisitam dois géneros clássicos e misturam as coordenadas estéticas de forma sublime: western e thriller. Magistral realização, argumento adaptado e interpretações - não só a do oscarizado Javier Bardem.
www.ohomemquesabiademasiado.blogspot.com |
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Cataclismo Cerebral |
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Uma História de Violência
Começo por confessar que não sou dos maiores fãs da obra dos manos Coen. Admiro-lhes a capacidade de adaptação aos diversos géneros cinematográficos, a tentativa de expressar originalidade naquilo que filmam e de nunca se esquecerem de introduzir as suas características notas satíricas mesmo em cenas dramaticamente complexas. O grande senão é que, com bases tão interessantes, aquilo que os manos edificam acaba por deixar quase sempre uma sensação de que se poderia ter ido mais longe, quer em desenvolvimento humano, quer em aprofundamento das temáticas narrativas. No Country For Old Men é decididamente um bom filme, mas não o consideraria o "filme do ano" tal como a Academia o fez.
O que a dupla Coen nos dá é um conto negro que evoca a mitologia dos westerns clássicos, remetendo para as noções de violência e bem vs mal do passado que se continuam a propagar no presente. O filme é particularmente eficiente na imersão no lado negro da condição humana, onde a perversidade, a ganância e, mais uma vez, a violência se passeiam naturalmente lado a lado. Por seu turno, a moral (que é representada pela personagem de Tommy Lee Jones) está revestida pela desilusão de quem já assistiu a muito e que já não possui grande esperança no Homem. Todos estes contrastes são filmados sob uma atmosfera hiper-tensa, sordidamente tétrica e capaz de colocar o nosso dispositivo dos nervos em constante estado de alarme.
A história, baseada no romance homónimo de Cormac McCarthy, desenrola-se no Texas, nos idos anos 80: enquanto está a caçar, Llewelyn Moss encontra um mala cheia de dinheiro (2 milhões de dólares) e uma carrinha com um carregamento de droga, que resultou de uma operação de tráfico que correu para o torto. Os intervenientes estão dizimados e Moss não perde tempo a tomar posse da mala, que é um petisco bem apetecível. Mal sabe ele é que atrás de si irá Anton Chigurh, um assassino implacável e sádico equipado com uma botija de ar comprimido e crente convicto na aleatoriedade do "cara ou coroa". Nesta batalha entre a presa e o predador, encontra-se a justiça na pele do Xerife Ed Tom Bell , cada vez mais desencantado com a natureza humana. Afinal, num acto que parecia ter todos os ingredientes para ser linear, Moss acaba por desencadear uma onda de violência extrema.
Sem nunca esquecer o humor negro que os caracteriza, os Coen revelam-se dinâmicos na construção de um thriller intenso onde o factor humano é o mais importante. Tommy Lee Jones e Javier Bardem são sem dúvida as peças mais intrigantes deste jogo. No caso do segundo, ele compõe um sinistro assassino com uma ética muito própria e avesso a sentimentalismos. O seu Anton insinua-se de forma serena, escondendo as suas verdadeiras intenções e aparentando até uma certa elegância obscena. Bardem tem aqui um dos melhores papéis da sua carreira e o Óscar de secundário foi muito merecido. O filme conta ainda com a vitalidade do feminino, muito bem representada por Kelly Macdonald: ela é a pureza e a consciência num mundo de homens insanos pela violência, onde a misoginia é um dado adquirido.
Não sendo uma obra-prima absoluta, No Country For Old Men resulta num filme incendiário que vem uma vez mais comprovar o imenso talento da dupla no campo da realização e na arte do storytelling. Destaque final para a fotografia, que capta a solidão desencantada das paisagens do interior do EUA.
José Simão
http://www.cataclismocerebral.blogspot.com
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Tiago RIbeiro |
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| Este filme é um espectáculo |
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João Bizarro |
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| Que grande filmaço. |
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